FERROVIA DO NIÓBIO – PARTE 2. (A Geopolítica de um Brasil Soberano)
*Por Cristóvam Luiz
Introdução
Um dos fatores mais
polêmicos e mais necessários ao debate nacional nos meios acadêmicos e nos
setores ligados ao desenvolvimento de políticas públicas para o Brasil, se
refere atualmente a um vetor da geopolítica de transportes por vias mais
modernas e coadunadas à sustentabilidade preconizadas, pelas orientações dos Objetivos
do Desenvolvimento Sustentável – ODS. A Ferrovia do Nióbio, se insere nesse
contexto.
Em artigo publicado no
livro “Amazônia: Reflexões e Planos para o Desenvolvimento Sustentável”,
lançado pelo Fórum de Estudos Econômicos e Sociais para o Desenvolvimento
Sustentável – FOCOS, pude traze à lume os indicativos das riquezas minerais da
Amazônia brasileira e um resumo histórico do trabalho iniciado durante o
período da chamada ditadura militar, em cuja situação histórica e geopolítica,
o governo do Brasil abriu a visão sobre a defesa da região Norte do país, assim
como iniciou um longo e importante processo para a ocupação da Amazônia evidenciando
o consequente crescimento populacional e econômico da região, embora de forma
tímida e bem pouco conhecida pelos próprios brasileiros. Esse é um vetor da
gestão pública que precisa ser esclarecido ao povo brasileiro para
desmistificar este tema socioambiental que atualmente vem sendo fontes de
narrativas esdrúxulas por parte de instituições e atores de uma política
ambiental desvinculada dos interesses e das discussões das comunidades
amazônicas, especialmente por pseudo-ambientalistas e principalmente por
gestores de ONGs que se vivem de forma nababesca dos recursos repassados por
países que patrocinam as políticas orientadas do milionário Fundo da Amazônia,
com escritórios fora da região e com esdrúxulas narrativas de proteção de
florestas sem sequer conhecer a geografia e os problemas da população amazônica. Tais temas foram expostos no Relatório da
CPI das ONGs, recentemente realizada no Senado Federal.
Desenvolvimento:
A rodovia BR-
210 no Mapa do Brasil.
Também conhecida como Perimetral Norte, a
Rodovia BR-210 é uma importante rodovia federal brasileira, que foi iniciada
para conectar os Estados do Amapá, Pará, Roraima e Rondônia, hoje
deixada entre os arranjos da conveniência de gestões de governo que não atentam
para a importância econômica e cultural desta importante infraestrutura da
região Norte do Brasil.
Vale ressaltar que a
Perimetral Norte foi planejada no auge do desenvolvimentismo econômico do
regime militar para cortar a Amazônia brasileira desde o Amapá até a fronteira
colombiana no Estado do Amazonas, fazendo parte do Plano de Integração
Nacional - PIN.
Crédito:
Vitalino Pimenta
A
IMPORTANCIA DAS FERROVIAS NO BRASIL
É importante também salientar
que o
transporte por via ferroviária é atualmente uma das melhores opções para
alavancar o desenvolvimento, devido aos fatores ligados à sustentabilidade, por
possibilitar um menor impacto na intervenção da natureza e menor impacto na
poluição ambiental. Na economia: os custos para a construção de ferrovias são
expressivamente menores e sua manutenção é muito mais fácil. Possibilita ainda
o transporte de maior volume de cargas e baixo custo em percursos de longas
distâncias e sem pagamento de pedágios, com menor índice de roubos de cargas ou
acidentes. Além disso, é garantida a empregabilidade para os trabalhadores do
setor, na manutenção e conservação da ferrovia e nos inúmeros serviços
vinculados ao turismo, ao comércio e à indústria.
A FERROVIA COMO FATOR
DE RELEVÂNCIA PARA OS ESTADOS DA REGIÃO NORTE E PARA O PAÍS
É importante salientar
que a região Norte possui inúmeras atividades industriais, de produção de
alimentos, de produção rural de extrema relevância para a economia nacional e
mundial, cuja produção precisa de infraestrutura e logística de transporte
adequadas. Atualmente, Roraima, Amazonas, e parte de Rondonia, enfrentam
problemas seríssimos quanto às suas Rodovias e na navegabilidade de seus rios.
Portanto, a viabilidade da Ferrovia ora indicada, sem dúvidas seria uma solução
de grande validação ao desenvolvimento da região e, consequentemente, de grande
valia aos esforços do desenvolvimento nacional.
Exportações do Polo
Industrial de Manaus (PIM) - As exportações do Polo
Industrial de Manaus cresceram expressivamente nos últimos anos. Entre 2018 e
2021, o valor subiu de US$ 678,9 milhões para US$ 867,9 milhões, mesmo com a
queda em 2020, quando ficou em US$ 786,7 milhões.
A partir de 2022, o
estado passou a superar de forma consistente a marca de US$ 900 milhões. Foram
US$ 903,8 milhões em 2022 e US$ 922,6 milhões em 2023. Em 2024, o Amazonas
bateu recorde, com US$ 970,4 milhões exportados. Em 2025, o acumulado até
dezembro somou US$ 936,8 milhões, próximo ao maior valor já registrado.
Exportações Agrícolas de Roraima –
O Estado de Roraima teve o maior crescimento percentual em exportações
do país entre 2018 e 2024. Os embarques passaram de US$ 14 milhões para US$ 313
milhões, com destaque para a soja, principal produto da pauta, segundo dados
estaduais e do Comex.
O ex-governador Antonio
Denarium (PP) atribui o resultado à política de regularização fundiária.
“Mais de 22 mil títulos
já foram entregues e 2 milhões de hectares regularizados. Isso deu base para o
crescimento”, afirmou.
O PIB roraimense também
refletiu o bom desempenho da agropecuária, com alta de 11,3% em 2022 — a maior
entre os estados. Além da soja, farelos da planta somaram US$ 35 milhões em
exportações em 2023.
A ampliação de mercados
internacionais e os programas de agricultura familiar e indígena são apontados
como prioridades do governo.
“Só em 2025, plantamos
4 mil hectares com milho, feijão, mandioca e macaxeira”, disse o ex-governador.
Fonte: https://memoriamacuxi.com.br/exportacoes-de-roraima-crescem-1-800-e-consolidam-forca-do-agronegocio/
Potencialidades de
Minérios do Amapá – Além de ostentar o título de estado mais
preservado do país, o Amapá abriga recursos naturais im portantes em seu
subsolo: os bens minerais. Sob as densas coberturas vegetais que aqui ocorrem,
escondem-se recursos minerais de grande importância econômica e, os quais foram
os responsáveis pela ocu pação e desenvolvimento deste rincão que ainda é
considerado uma das últimas fronteiras amazônicas. Pouco mais de 71 % do
território amapaense está assentado em terrenos geológicos antigos de grande
geodiversidade, onde aproximadamente entre 7% a 21%3 são potenciais hospedeiros
de depó sitos minerais importantes, como o de manganês em Serra do Navio, ouro
em Lourenço, ferro e ouro em Amapari, cromo, ferro e ouro no Vila Nova; além de
outros menos conhecidos. Ciente desta potencialidade, o governo brasileiro
desde 1972 tem fi nanciado diversas campa nhas de pesquisa e mapeamento
geológico, ainda assim, o nível de conhecimento é bastante incipiente, devido a
escala dos mapeamentos realizado Fonte: Diagnóstico do Setor Mineral do Amapa,
2010.
Dos
Yanomami (AM e RR) aos Waiãpi (PA e AP)
(Pelo
direito de ir e vir e ao acesso ao desenvolvimento dos vários povos indígenas)
Crédito:
Transporte Ferroviário
- Toda Matéria
Na constituição de 1988,
a mais avançada em termos de reconhecimento das diferenças culturais e étnicas,
os direitos constitucionais dos índios estão expressos em um capítulo
específico (Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo VIII, Dos Índios), além de
outros dispositivos dispersos ao longo de seu texto e de um artigo do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias. Esta Carta tem como característica o
reconhecimento oficial do direito à “indianidade”, deixando pela primeira vez
as intenções sempre constantes na história brasileira e na política indigenista
de assimilar os povos indígenas à ordem nacional.
Nesta Constituição, também se
amplia o conceito de terras indígenas, incluindo as áreas necessárias a outras
atividades e mesmo as necessárias à preservação dos recursos ambientais.
E
o devido acesso á Educação, Cultura e Desenvolvimento Econômico da população
originária da Amazônia...
É honroso constatar que
nos tempos atuais, com os acessos democráticos obtidos por vários povos
indígenas do país, às Comunicações e à evolução do da Internet e aos processos
de conhecimento científico e multicultural, houve uma grande evolução desses
povos quanto às reivindicações à democratização de oportunidades.
Numa reunião havida no
Vaticano, em evento sobre a temática do Sínodo da Amazônia, um representante
indígena bradou em alto e bom tom de que os índios da Amazônia não podem nem
querem mais “conviver com as pulgas em seus pés durante o dia, e nem com os
morcegos a rondar no teto de suas malocas durante as noites escuras; eles
querem oportunidades de desenvolvimento”.
Também se alegra este
autor quanto à constatação de vários representantes indígenas do Norte e do
Centro-Oeste do Brasil, manifestando-se sobre o devido acesso à Educação, à
Cultura e aos processos de desenvolvimento da população originária brasileira.
Conclusão
Na edição do livro
Amazônia: Reflexões e Planos para o Desenvolvimento Sustentável, em lançamento
nacional pela Editora da Universidade Estadual do Amazonas, (Capítulo V,
páginas 141 a 154) este autor traz à
lume os seguintes indicativos:
A “Ferrovia do Nióbio” se insere no rol
dos projetos mais urgentes e necessários para a governança de políticas
públicas eficazes à integração nacional, à segurança de fronteiras, ao
desenvolvimento regional e nacional, assim como ao estado democrático de
direito.
Convém, portanto, reivindicar a
liderança dos senhores governadores do Amazonas, de Roraima, do Pará e do
Amapá para efetuarem agendas comuns na condução de políticas governamentais
interregionais e de sensibilização dos demais brasileiros para o usufruto
de benesses que outros Estados e outros países já usufruem há muitos anos em
termos de mobilidade e desenvolvimento.
Que nossos gestores públicos Estaduais e
Federais e respectivos representantes nacionais se articulem para incluir,
de imediato, esse Projeto nos Planos Plurianuais Participativos, assim como nas
Leis Orçamentárias Anuais do Governo Federal, com a celeridade possível, com
vistas, sobretudo, ao desenvolvimento regional e também nacional.
* Cristóvam Luiz é Professor, Escritor e Microempresário de Mineração.

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